Do bolso aos dedos me veio o bombom, não em silêncio, mas cantando a alegre música que alegra o paladar. A cada toque, todo manhoso, continuava a letra, que falava de tentações e delícias.
Na busca de sua verdadeira identidade, meus dedos, vagarosamente, foram despindo seu colorido e ilustrado traje magenta; e no final, que vergonha!, somente de roupa de baixo. A roupa amassada trazia seu cheiro, delicioso, doce odor do desejo ardente. Suas roupas íntimas, da cor do luar, eram tão finas, que se meus dedos não fossem cuidadosos, a teriam rasgado.
Ah!, que constrangedor aquele momento, um silêncio prolongado... Meus dedos se aproximaram e o abraçaram... Foi perfeito. Os dedos foram feitos para o bombom e o bombom, para os dedos: um encaixe sublime, sem falhas.
Os olhos, mestres dos dedos, encaravam aquela pele negra, aquela forma circular e voluptuosa. Depois de muito observar e admirar, ordenou, imperioso:
- Pegue!
Um contato cuidadoso: a cada toque sua pele parecia derreter, junto com minha moderação. Não resistindo mais, todos os membros imploravam pelo bombom.
Os dedos o fizeram subir pelo ar até a boca. Agora, que dúvida! Como comê-lo? Se for rápido, me arrependerei depois; se devagar, não sentirei o prazer da mordida rápida e saborosa.
Chegou o momento e nos encaramos. Iria começar o ritual, onde dois se tornam um, chegando à completude e ao prazer.
Foi se aproximando e antes dele, chegou a arma que ataca o nariz, intensificando o desejo, atiçando a vontade, tirando o controle.
Depois de um breve ósculo, iniciou-se o delírio. O bombom, atrevido, fazia delirar os meus dentes, minha língua, minha boca, meus sentidos, minha alma... E acabou; finalmente nos unimos.
Texto de Eraldo Souza dos Santos, terceiro lugar na categoria Poesia do concurso.
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